“Desenho é a honestidade da arte. Não há possibilidade de trapaça. Ou é bom, ou é ruim" (Salvador Dali)
Inspirador. Se eu tivesse que resumir o trabalho de Bruno Mota em uma palavra, seria essa. Como fui incumbido da missão de fazer a introdução do trabalho dele, tentarei mostrar o quão inspirador realmente é a forma de arte desse garoto, mesmo se olhado de simples Relance.
Baiano de nascimento - em razão de uma viagem que seus pais faziam pelo Sul da Bahia - mas paulistano de criação, Bruno Mota sempre teve o desenho como instrumento para dar forma aos Amigos Imaginários e expurgar os Inimigos Imaginários de uma mente prolífica e criativa.
Aos oito anos, seu primeiro Fanzine já saía de suas mãos e até os 12, esse material já superava as 40 edições – sem contar as obras não utilizadas posteriormente - fazendo dele praticamente um Grande Devorador de Árvores, um “rabiscador" de papel. Esse material se perdeu com o tempo pois, segundo o próprio artista, “Só há alguns anos atrás adquiri o hábito saudável de guardar meus trabalhos". [
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No período da adolescência, Um Passarinho Me Contou que a influência da cultura do Hip Hop deu as primeiras direções nas vertentes de sua arte. Sonhando em fazer parte da Crew dos Mestres , Bruno deu seus passos iniciais na arte urbana do Graffiti.
A partir desses pontos de referência, auxiliados pelo magnético trabalho de Salvador Dali e seu Dali World de surrealismo e disrupção, Bruno foi juntando as peças que comporiam a essência de sua técnica.
O Graffiti também lhe proporcionou a primeira idéia no ramo que hoje lhe gerou tanto reconhecimento como ilustrador e que creio ser seu novo amor na hora de desenvolver artes: As camisetas personalizadas. Fazendo uso abusivo dessas influências, Bruno Mota torna a arte uma coisa tão acessível, tão facilmente reconhecível, que Só Formas, cor e um certo bom gosto nos causa sensações de estarrecimento com temas simples, como a História do Sorvete – História essa que eu particularmente não conhecia até conhecer a ilustração – e também com a história do Pequeno Príncipe e a Raposa, livro de Saint - Exuperry que teve um impacto diferente em mim depois de ver a arte ilustrada.
Saber que temas tão simples – e não confunda com simplórios – nos faz ficarmos nostálgicos e encantados, faz com que tenhamos mais convicção de que a arte contemporânea tem muita coisa ainda para nos surpreender.
Atualmente, na condição de arte educador, Bruno propaga aquilo que eu acredito ser a utopia de todos os artistas visuais reconhecidos ao redor do Mundo: A expressão artística da maneira que se vê o mundo de uma forma que os outros se identifiquem com isso.
Através de ONGs e projetos sócio-culturais, sempre tendo a linguagem do Graffiti (ou suas influências) como forma de expressão, ele consegue transmitir a seus alunos que a evolução é uma constante: “Como o mestre Miyagi ensinando Daniel San em suas Miyagi Rules: Lixa o assoalho, pinta o muro". Lições indefectíveis de humildade e melhoria até o fim da vida.
Ter alguém como o Bruno Mota como influência de trabalho e amigo é uma satisfação enorme. Espero que ele saiba que escrever essa introdução me constitui um grande prazer. O prazer de tentar, com esse texto, fazer com que outros conheçam esse artista que ele é. Inspirador.[
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